Sutilezas V


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Carrego a lembrança dos trovões, das janelas da minha infância. O prisma das enormes lamparinas à chuva. Em mim, as mesmas cores púberes, dos faróis que me orientavam na caminhada. A noite vaporiza meu rosto ainda e cada canto da minha energia e das minhas intenções. Sofro da síndrome da pele eriçada todas as manhãs.
É que tem tanta energia aqui dentro que lá fora tudo é possível nessa coisa do viver.
Reconheço, naturalmente, que já não chove mais tanto e tão bonito e; quando chove, nem sempre faz maravilhar meu rosto tanto quanto ainda, mas para o meu conforto, ainda vejo n’outros mestres, o brilho da possibilidade de alimentar este espírito em mim, e sigo catando e contando estrelas e uso da experiência dos bons conselheiros para me reinventar. Ofereço novas possibilidades para as mesmas asas.
É que gosto do gosto deste céu e do sabor desta mesma sorte.
Senhoras e senhores, peço-vos licença para me apresentar: eu sou a poesia.

 

O flerte


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ah, os sentidos me enlouquecem
“param-lelamente-e-pípedos”
e insistem aqui nas doidices
e resistem e me são bem quistos
nascidos aos sabores, aos odores
e me trazem vivo, ao meu ver
e ao meu viço, vês?
disso, sou hospedeiro e hospício
deitam aqui e se debruçam
no “para-peito” e me dizem
em uníssono os mesmos pássaros
que me assombram em cor tamanha
e me decoram o que era sombra
e tanta pompa pois são reis
“passarando” aqui em mim
e fazendo “sentidos”, todos, ah, sim!

( Des ) Rugar


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feito papel; fui frágil

e de contornos aparentes

e dobraduras; fui dor

fui; ilegível

e; fui amassado na vida

que me era própria

fui; rasgado

fui; ao chão

……………………………………..

sou; redemoinho agora

tanto molhado

tanto surrado

feito papel ainda

sou; impressão

e recebo manchas

das lágima salinas

sou; riso dos pingos tintos

sou; emoção

sou; palheta

e manchas e cores

e agora; aquarela

d’outro coração