Abalone


 

hand-1838345_960_720nem tudo me é claro
claro que não!
uso do ópio e trago tudo
todo errado e me entrego
e a tua voz me apaga
que praga!
só devia ir até aonde
a dor não mata
porque tu és dor!
mas vou ao teu encontro
e pronto,tu és corpo,
sou alma!
não conto a qualquer tonto
a minha vergonha
isso é tétrico!
que de tanto e mais que isso
despisto quando digo
no único boteco que me aguenta
e o que trago nos meus tragos
quando no palco
de ti eu trato?
tu és tanto de quase nada
que nem sei d’onde veio
essa joça de ideia
que me enterra em ti

Trechos dos retalhos meus – parte XXIV


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Não há nada de errado aqui? E o que faço além de comprimir espaços? Menos móveis? Mais imóvel. Nada nas grandes coisas e muito nas pequenas. Trechos de reflexão são raios, não de lua, de trovão. Nada suportável. Saliva desce a garganta feito cachoeira – necessária para permear a dor – penso algo, entre o sono e  castigo. Neste estágio, exercito a capacidade taciturna da “voz”, que habita em algum lugar que não identifico: qualquer cômodo neste corpo tombado, feito incômodo. As minhas literatas companhias de papel são cruéis, na aplicabilidade dos motivos e se me motivam só me perseguem. Sou bom, aqui, neste estado paranoide. Mas “eles” não se surpreendem quando vos digo: “Não se apiedem de mim, vou ficar bem.” Sabem que nasci pro caos!

O blefe


camisa de força

às vezes, é da dor
que se alimenta
cada coisa minha
é na tempestade
que repousa minha
(in) sanidade
é da recusa
que me esforço
tanto à escuta
inda que sofra tanto
por tantas cousas
é pro ímpeto
que sorrio
e meu corpo fala
e responde tonto
pois percebo errar
nos outros
as minhas dores
sou o contexto
do universo
o meu, universo
e aqui, tudo é…
arrebatador e fico
mais um tanto
até coçar
as pálpebras
e molhar
as minhas narinas
e ali, fico
um tanto dor
um tanto tonto
dois tantos louco